Pouco aproveitamento
Hey!!
É aterrador como o tempo atua. É aterrador a forma como lidamos com as coisas e com tudo aquilo que nos rodeia, quando nos rodeia e quando possuímos as coisas. Na verdade, o mais aterrador de tudo isto é a forma como o tempo passa e, ironicamente, o tempo que ele demora a passar. Como é que num dia nós podemos ter o que queremos e no outro dia isso pode já não existir? Como é que podemos considerar que temos algo como garantido, quando, na verdade, nem a nossa própria vida é garantida para o próximo dia. Erro da nossa parte desvalorizar aquilo que temos, quando ainda temos e preocuparmos-nos com coisas que provavelmente nunca as iremos ter. Nós, inconscientemente, cometemos tantos erros (o que é normal porque só assim as coisas fazem sentido) mas então porque razão é que para certos erros somos tão julgados e para outros nem julgados somos? Verdade, a intensidade conta, mas não deixa de ser um erro, e no momento de julgar, confiem, ninguém vai ter em conta o que aconteceu de errado, só que fizemos algo de errado.
Acho que o maior erro de nós mesmos é pôr-mos sempre a culpa em alguém, ou porque não fizemos algo porque tivemos de estar com alguém, ou porque não mandámos mensagem para resolver um conflito porque a outra pessoa também não o fez; e sim, sei que tudo isto é um clichê, mas como é que é suposto o mundo evoluir se ainda se sente mal ao pedir desculpa? como é que é suposto o mundo evoluir se ele próprio continua dividido entre lados? como é que é suposto nós ajudarmos, se as pessoas sentem vergonha de dizer que precisam de ajuda? Devemos pensar menos e agir mais.
No fundo, sinto que errei muito. Sinto que falhei enquanto pessoa, enquanto todos os papéis que desempenho ao longo do meu dia, eu falhei. Não fui suficiente e provavelmente nunca o serei, se não atingi os objetivos impostos por mim própria como é que é suposto atingir os objetivos de alguém? É tão errado nós regermos aquilo que temos pelo tempo, é errado porque o tempo é algo incerto. Custa-me pensar que as coisas mudam radicalmente sem nós darmos conta ou fazermos algo para impedir, custa-me saber que nem aquilo que eu própria sinto é linear e, novamente, está nas mãos do tempo. E, na verdade, ainda me custa mais pensar que o que tenho hoje e aquilo que me faz feliz hoje provavelmente não será aquilo que me fará feliz daqui a uns tempos. "Uns tempos" algo tão aterrador, é aterrador por não saber quanto tempo isso levará e por pensar que posso perder tudo de um dia para o outro quando não estou pronta para que isso aconteça.
Devemos aproveitar mais o que temos, devemos pedir desculpa quando temos de pedir, devemos ajudar quando percebemos que precisam de ajuda e, sobretudo, devemos amar, amar o próximo e amar a vida, tudo aquilo que, neste momento, pensamos que nos faz feliz é tudo aquilo que temos de amar; porque, amar algo que já não se tem é como amar uma flor murcha, podemos voltar a regar as vezes que forem precisas que ela já não volta a ser como antes.
Brunzz.
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